Decidi ir embora
Em dezembro de 2011 tomei mais uma corajosa decisão, decidi ir embora, decidi me desligar de algo que havia sonhado e almejado viver para sempre, mas os sinais eram claros, aquela realidade estava distante daquela que havia sonhado, a roupa estava apertada demais, não cabia mais em mim. Eu tinha crescido e o estreito não me cabia mais.
Decidi ir ao encontro do meu tamanho, sem saber para onde e como seria.
Fui na ousadia e na coragem de quem não tem medo de errar e nem de recomeçar. Fui na certeza de que Deus, aquele rege tudo e que sempre cuidou de mim, me conduziria ao melhor.
Então, cheguei em Brasília numa semana como essa, nas oitavas da Páscoa e já são 5 anos de história nesta terra. Capital do meu país, o sonho profético de Dom Bosco, lugar que me acolheu e me abençoou com tantos presentes.
Nesses anos muitas coisas aconteceram, muitas alegrias, sorrisos, mas também muitas lágrimas, anos de reorganizar o coração e a vida, de entrar numa nova dinâmica e de estar aberta ao novo, estar aberta para entender meu caminho e meu lugar. Foram anos de muito crescimento e muito amadurecimento.
Deus me trouxe para cá por um motivo: para me curar e restaurar. Aqui fui encontrando meu lugar no mundo, cresci como pessoa, como profissional e como mulher.
Nós fazemos planos, mas Deus faz planos ainda melhores para nós.
Sempre quis gastar minha vida por um objetivo grande, por uma causa nobre. Sempre sonhei em me doar por algo que realmente valesse a pena, nunca quis ir na onda nos padrões e do convencional, pensava que tudo isso só seria possível no extraordinário da vida, nas grandes obras. E Deus me trouxe para o escondimento do ordinário, do cotidiano, do dia-a-dia. Deus me ensinou que a grande obra é minha vida, e que amar é a grande causa nobre. Me mostrou que minha vida é a melhor pregação que já fiz, e que contrariar as estruturas que oprimem e adoecem as pessoas é meu dever.
Que o extraordinário para mim era viver com amor, dedicação e inteireza o ordinário, pois descobri que, quem não consegue ser santo no ordinário, tão pouco será no extraordinário.
Descobri que o Evangelho precisa chegar às realidades deste mundo, nas relações do trabalho, nas relações de amizade, na diversidade de cultura, crenças e religiões.
E hoje, após esses anos, só tenho gratidão em meu peito. Gratidão porque creio que Deus cuidou e cuida de mim generosamente. Gratidão pela minha família que sempre foi meu sustento mesmo longe. Gratidão pelos amigos e pela família que Deus me concedeu aqui e pelo meu trabalho que amo tanto. Gratidão por ter conhecido aqui meu noivo e por tudo que ainda vou viver aqui. Gratidão!

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