Maria é mãe de Deus?
Há alguns dias vimos proliferar nas redes sociais uma polêmica com o Pastor Claudio Duarte por uma pregação em que ele fala sobre Maria, mãe de Jesus e mãe de Deus. Então ao ver alguns posicionamentos senti que precisava escrever um pouco sobre essa questão.
Primeiro penso ser importante refletir como, hoje em dia, as pessoas se posicionam rapidamente diante de qualquer assunto a partir do acesso às informações mais superficiais. Como diria Bondía “... a experiência é cada vez mais rara por excesso de opinião”. A sociedade moderna opina muito e depressa demais.
Depois seria interessante pontuar que o Pastor Cláudio Duarte é declaradamente evangélico e, portanto é evidente que acredita, prega e vive de acordo com a doutrina evangélica. Penso ser óbvio que ele não professe os dogmas Marianos como nós católicos, penso ser óbvio que, embora a fé dos católicos e protestantes seja cristocêntrica (Cristo como centro), divergimos em muitos pontos.
Todos sabemos que divergimos em muitos pontos, e nesse ponto especificamente, sobre os dogmas Marianos, fica mais óbvio ainda. Por isso, não entendi porque alguns católicos se sentiram tão ofendidos com a fala do Pastor, não entendi mesmo! Não entendi o que esperavam dele. Talvez que ele pregasse numa Igreja Evangélica que acreditava em algum dogma católico?
E, além do mais, em que ele ofendeu ou desrespeitou os católicos com sua fala? Ofendemos alguém por pensarmos e acreditarmos diferente?
Alguns ainda acreditam que para manter viva a fé católica é preciso eliminar tudo o que é diferente. Voltamos à época da Inquisição?
Vale ainda ressaltar o que é o ecumenismo que a própria Igreja tem proposto em seus documentos. Gostaria de exortar-los a estudarem o Decreto Unitatis Redintegratio e a Encíclica Ut Unum Sint que abordam o tema do ecumenismo claramente.
“Importa muito que os futuros pastores e sacerdotes estudem a teologia bem elaborada deste modo e não polemicamente, sobretudo nas questões que incidem sobre as relações entre os irmãos separados e a Igreja católica.” (Unitatis Redintegratio, 10) Este decreto ainda diz que as Igrejas e Comunidades protestantes tem sentido e significação no mistério da salvação. Deus utiliza-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade.
O próprio Jesus nos chama a unidade. Não uma unidade que prevaleça um ou outro, mas uma unidade na diversidade, no respeito às diferenças.
“Cheia de esperança, a Igreja Católica assume o empenho ecumênico como um imperativo da consciência cristã, iluminada pela fé e guiada pela caridade. Também aqui se podem aplicar as palavras de S. Paulo aos primeiros cristãos de Roma: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi concedido; assim a nossa esperança não nos deixa confundidos (Rm 5, 5). Esta é a esperança da unidade dos cristãos, que encontra a sua fonte divina na unidade trinitária do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” (Ut Unum Sint, 8)
Por fim, sempre que polemizamos, toda vez que não acolhemos o diferente com respeito, que
não aceitamos o outro com misericórdia que preferimos acusar e criar embates geramos cada vez mais a intolerância, a falta de amor e a falta de diálogo o que fere completamente a proposta cristã.
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